h1

tudo por uns reais na cueca

dezembro 4, 2009

Uma amiga, quando casou, quis muito, implorou para que sua despedida de solteira fosse feita em um clube de mulheres. Era verão em Porto Alegre, onde nada acontece e o calor é insuportável. Depois de muito clericot e papo de mulher em sua residência, nos mandamos para o lugar que ela tinha reservado. O preço, além de muita vergonha alheia, era “10 reais com bebida liberada”.

Fomos. Era uma turma de, mais ou menos, 30 mulheres. Uma delas, madrinha, tinha ligado e feito a reserva. Estava confiante na diversão garantida. Só que quando chegamos ao local, adivinha a surpresa? Fechado. Melhor: EM FÉRIAS COLETIVAS. Descobriu-se, então, que a madrinha havia sido vítima de um trote e que nunca, em nenhum momento, a casa de shows e entretenimento do público feminino havia sido consultada sobre a noitada.

Aí a noiva ficou muito decepcionada, tentando, de todas as formas, manter unido o rebanho que já se formava em grupos dissidentes que planejavam terminar a noite em um boteco qualquer, jogando conversa fora. Tanto insistiu que não só convenceu todas a ficarem, como conseguiu a proeza de fazer com que o dono do local interrompesse as férias coletivas para realizar o desejo dela.

Pois bem. Ele abriu o bar. Mas, antes disso, saiu para comprar cerveja num postinho, pois não tinha nada lá. Voltou com uma dúzia de packs de long neck e nos convidou a entrar. O porteiro, o mesmo que nos avisou das férias coletivas, transformou-se também no DJ de um único CD, barman e showman, apresentando a perfomance dos garotos que ainda não tinham chegado. Sim, ele criava um certo suspense sobre as inúmeras qualidades dos rapazes.

Nós ficamos ali sentadas, conversando, enquanto o CD tocava o horror no repeat e o show não começava. O porteiro era um incansável apresentador e atendia no bar sem largar o microfone. Surreal.

Aí o tempo foi passando, passando e nada do troço começar. E eu peguei no sono. Sim, eu dormi. Baixei a cabeça na mesa e cochilei. Pois é, num clube de mulheres, em noite super exclusiva, com cerveja quente e som no repeat. Mas claro que minha felicidade não durou muito, pois o porteiro-apresentador-DJ-e-barman engraçadinho resolveu me acordar (eca!) sussurrando no meu ouvido.

Já deviam ser mais de três da manhã quando os strippers chegaram, cada um portando seu CDzinho e fantasia pra não comprometerem o espetáculo. Por que demoraram tanto? Ah, claro! Porque eles tiveram que pegar um ônibus da Restinga, bairro bem afastado do centro. Se, de carro, normalzinho, segundo me informou o google maps, leva em torno de 45 minutos, imagina de ônibus?

O show começou, mas eu tava com sono e não tava bêbada o suficiente para achar divertido. Pra falar a verdade, achei até meio deprê aquilo tudo. Porém, hoje, quando lembro, não consigo deixar de achar engraçado. Afinal, teve quem aproveitasse. Mas quem não gostou mesmo foi a namorada de um dos rapazes, que, gentilmente, o acompanhou até lá e ficou, literalmente, com as calças (dele) nas mãos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: