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reciclando

dezembro 3, 2009

Recuperando o ânimo para atualizar o blog e não perdendo meu gancho do post de ontem, cujo personagem principal é irmão da Fernanda Lima, resolvi postar um texto antigo do sr. meu marido: “O dia em que a Fernanda Lima falou comigo”

Vale a leitura:

O DIA EM QUE A FERNANDA LIMA FALOU COMIGO

Márcio Cassol


Quente, úmido, ensolarado. Assim foi o último dia da semana de provas do colégio Nossa Senhora do Rosário. Isso em Porto Alegre. Eu estava no primeiro ano do segundo grau. Ou seria o segundo? Bem, esse lapso na memória não terá relevância para a história. O fato é que eu era um aprendiz de grunge, cabelos secos, crespos, relutando alcançar os ombros. Sim, porque do primeiro para o segundo ano do segundo grau meu cabelo não cresceu.

Situados na questão ‘espaço-tempo’, vou relatar o episódio. Estava eu com um amigo num banco da praça em frente ao colégio. Conversávamos trivialidades sobre as questões de trigonometria ou geometria espacial (depende do ano). Meu amigo bebendo seus 300 ml diários de guaraná num copo de plástico rotulado pela Coca-Cola. Eu chutando as pedrinhas da praça ao alcance do meu pé direito. Uma das pedrinhas (batizei-a de ‘The One’) teve a felicidade suprema de encostar na sandália 36 da mais bela das belas (perdoem-me o clichê) já matriculadas naquele instituto educacional. Era Fernanda Lima, atravessando a rua, caminhando em nossa direção.

Retrato-me de uma falácia no parágrafo anterior. Ela não caminhava em nossa direção. Flutuava. Perdoem-me mais uma vez o clichê e a breguice (o amor, mesmo o platônico comum aos adolescentes, e a paixão são de fato bregas). E em câmara lenta. Fernanda olhou para a pedrinha, desviou-a para o lado e, numa suavidade própria dos anjos, voltou a fixar seus olhos amendoados nos dois pré-grunges sentados a sua frente. Balançou com graça e delicadeza seus cabelos enquanto a suave brisa os acariciava. Juro nesse momento ter ouvido Ella Fitzgerald cantando ‘They Can’t Take That Away From Me’ ao lado de Louis Armstrong (Que foi?! Grunge não pode ouvir balada não?!). Meu amigo já não bebia mais seu guaraná. Acredite, éramos normais. Ao menos gosto de pensar que éramos. Mas para meu amigo foi inevitável deixar escorrer algumas gotas da bebida pelo rosto, uma vez que não controlava mais os músculos faciais, estasiados em sorriso.

Enfim… não sei quantas batidas por segundo um coração adolescente suporta, mas posso lhes afirmar que o coração de um adolescente pré-grunge, cabelo ruim e, ok, confesso, levemente tarado resiste muito bem quando posto à prova.

A garota chega perto e sussurra suavemente no meu ouvido. Ok, ok. Não foi no ouvido. E não foram sussurros. Foi a uns bons 3 metros de distância. Mas deixa eu ter meus momentos! Nem que seja uma falsa memória. Enfim… ela diz pra mim:

– Oi. Tens o horário da recuperação?

Malditos estudos. Não… eu não tinha o horário da recuperação. E, pra piorar, tinha paralisado. Não tinha a menor idéia do que dizer. Então soltei a melhor coisa que pude pensar. A melhor coisa que um adolescente, pré-grunge, cabelo ruim, tarado e iletrado em Vinicius de Morais poderia dizer:

– Hum, não… passei por média.

Os passarinhos pararam de cantar. A suave brisa abruptamente gelou. Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, pela primeira vez na história desafinaram e passaram a interpretar ‘Não aprendi a dizer adeus’ em ritmo de lambada.

Como não poderia deixar de ser, Fernanda deu de ombros e voltou para dentro do colégio em busca do horário da recuperação. E foi-se… Sim, falei com Fernanda Lima. E Fernanda Lima acabou ficando Fernanda Lima para sempre. Nada de Fernanda Lima Cassol. Apenas Fernanda Lima.

Lástima. Uma lástima…

Melhor de tudo é que há algum tempo ela postou no blog dela que adorou um texto que encontrou na internet, de um ex-aluno do Rosário chamado MÁRIO Cassol.

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2 comentários

  1. Esse Mário é foda!


  2. Tá aqui a prova: http://www.fernandalima.com.br/blog/2005_04_01_archive.html



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