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o barato sai caro

dezembro 15, 2010

Há alguns meses, o Márcio comprou uma promoção no Peixe Urbano para jantar no Villa Rústica Pub, um lugar metido a besta em Porto Alegre. Não conhecíamos o pico, nem nunca tínhamos comprado qualquer coisas nesses sites. Porém, achamos que poderia ser um programa agradável. Mas não foi. Foi, inclusive, o pior atendimento do século na história dos restaurantes ruins que existem no mundo. Tipo assim, juntem os caras do Ossip e o porteiro do Shamrock e imaginem eles comandando uma equipe de pessoinhas iguais a eles. É pior.

Se um restaurante não tem condições de atender a um grande volume de pedidos, tem que ter consciência de que não pode participar de uma ação como esta. Chegamos às 21h15 no lugar e fizemos o pedido de uma pizza logo em seguida. Levou cerca de 1 hora para a primeira pizza chegar. Caras feias e tal, mas ok, tava bem cheio e a gente viu que os garçons estavam atucanados. Mas aí, como acabou vindo mais gente nos encontrar, acabamos pedindo uma segunda pizza antes mesmo que nossa primeira pizza chegasse. Pior erro, porque a segunda pizza demorou muito mais do que a primeira. E quando abordamos um dos garçons ele nos garantiu que estava saindo em 15 minutos. E esses 15 minutos acabaram virando mais 45 minutos. No fim, o péssimo atendimento e a falta de estrutura do local fizeram com que nossa pizza chegasse à mesa à meia noite.

Como àquela altura nós já tinhamos pago os malditos cupons no site e não tínhamos muito o que fazer, seguimos a orientação de um dos garçons para conversar com a ‘moça do caixa’. Então, na hora de ‘pagar’, fomos educados ao reclamar do serviço e da demora absurda. E a moça, arrogante e despreparada, conseguiu fazer da situação pior do que já estava. Ao invés de pedir desculpas pelo trantorno e ser minimamente educada e com vontade de realmente tratar bem os clientes, primeiro tentou culpar o garçom pelo mal entendido. Óbvio que ele tinha culpa, mas o problema era visivelmente muito maior. Ainda assim ela queria chamar o garçom e coagi-lo na nossa frente, como se confrontar a nossa opinião com a dele fosse resolver alguma coisa. Respondemos a isso dizendo que o problema era muito mais de estrutura, embora o atendimento fosse péssimo. E aí ela acusou a nós, clientes, por termos ido usufruir da nossa compra próximo ao fim da promoção (que encerra na sexta, dia 17).  COMO ASSIM?

Foi muito irritante, mas confesso que me segurei muito pra não sair do sério. Em outras épocas eu teria sido muito mais impaciente e grosseira. E agora eu estou com vontade de fazer aquele estabelecimento minguar, então peço ajuda a vocês para falar mal dele pra todo mundo e nunca botarem os pés lá. E pensem muito antes de comprar qualquer coisa no Peixe Urbano. É o típico ‘barato sai caro’.

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Toda trabalhada na arte

dezembro 10, 2010

Eis que Elisa está toda trabalhada na artê. Está aprendendo na escola sobre os pintores e reproduz em casa vários conteúdos, traz referências e discute as “obras”. Sim, ela usa o termo “obras” para falar dos quadros. Tem demonstrado um interesse maior pelo Miró, de quem vive a comentar suas obras. Uma vez, em casa, ao invés de fazer um desenho convencional, ela reproduziu o quadro “Azul” dele, segundo ela, o seu “preferido”.

Acho lindo, mas meu conhecimento sobre artes é mais ou menos o mesmo sobre física quântica: NULO. E a baixinha tem me dado umas aulas sobre o assunto. No ano passado, chegou a comentar que gostava mais de Van Gogh do que do Cândido Portinari, porque o brasileiro só pintava “pássaros e plantas”.

Agora é a vez da Tarsila do Amaral. Elisa sabe tudo da vida dela: quando e onde nasceu, quem foram seus maridos, qual seu primeiro quadro, etc. Aí que esses dias, no carro, ela ia nos contando toda a história de vida da artista, até que comentou que, embora ela fosse surrealista, nem todas as obras dela eram. Diferente do Miró, claro, cujas obras todas são. E o Márcio, participativo, fingindo ter conhecimento no assunto: “Não? Achei que todas as obras dela fossem surrealistas”.

Elisa olha pra ele com um ar de reprovação e pergunta em tom irônico: “ô, Márciô, desde quando uma fazenda é surrealista, hein? HEIN?”.

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Mariella

dezembro 9, 2009

Quando eu era criança, um dos meus traumas estava relacionado ao meu nome. Não porque eu não gostasse – aliás, adoro -, mas porque toda vez que eu ia com meus pais a feiras, parques, exposições ou algo que o valha, sempre tinham barraquinhas vendendo pulseiras, porta-retratos, porta-joias, placas de porta ou outros objetos decorados com nomes. E eu nunca  encontrei nenhum, a pronta entrega, com Mariella. Existiam montes de Marianas, Rafaéis, Fernandas e Felipes, que eram sempre uma possibilidade concreta de venda. Até Margô eu encontrei, mas Mariella, nunca.

Depois eu cresci e isso deixou de ser importante, claro. Afinal, sempre foi mais fácil ser a única Mariella na turma da escola, do clube, da ginástica. O mais próximo que cheguei  foi de uma ‘semi-cunhada’ chamada Mariela, com um ‘éle’ só. Ela era a irmã mais velha de um caso adolescente meu e sempre dizia: “com tanta Tatiana [nome da outra irmã] no mundo, tu foi logo encontrar uma Mariella”.

Ainda assim, é raro encontrar Mariellas por aí. Tenho sempre uma sensação diferente que, provavelmente, as Marianas, Rafaéis, Fernandas e Felipes já se acostumaram a sentir. Por isso, justifico este post: ontem, descobri que existem, no mundo, duas músicas com o meu nome, com dois ‘éles’ mesmo. Kate Nash e Bobby Summer parecem ter histórias para contar de homônimas minhas. E o engraçado é que, pra mim, foi como se, finalmente, achasse uma pulserinha com o meu nome pra vender.

Não conheço muito de Kate Nash e não sabia que o tal Bobby Summer existia até ontem. As canções não pertenceriam às minhas playlists em outras ocasiões, nem as letras me agradam muito, porém, fiquei feliz em saber. A música dela é até meio sombria, mas a dele é alegre e começa com “Señorita. Tequila, tequila, tequila. Señorita”. Além disso, me faz lembrar do meu amigo latino Vicenzo, que hoje vive longe, lá na Austrália.

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Para ouvir:

Mariella – Kate Nash
Mariella – Bobby Summer

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bocaberta

dezembro 8, 2009

eu não me considero uma pessoa desligada. pois, se por desligada se entende que eu sou desinteressada nas pessoas, não me faço presente em momentos importantes ou esqueço datas, nomes e detalhes, aí é tudo mentira. porque, no geral, eu dou muito valor a tudo isso. e tenho um talento natural para lembrar de aniversários, nomes e telefones de pessoas. por isso, me dou o direito de ter razão quando digo que não, eu não sou desligada.

o que eu não posso ignorar é que sou muito “bocaberta” (adoro essa expressão!). eu sou desastrada, sempre que vou mover um copo ou um prato eu nunca olho direito onde estou colocando – o que, geralmente, resulta em cacos no chão -, eu tropeço e sou atrapalhada. mas hoje eu me superei muito.

cheguei ao escritório depois do meio-dia e nem me dei ao trabalho de acender a luz da sala, pois a iluminação que vem da rua já é mais do que suficiente. e tô eu, bem tranquila, atualizando um arquivo no google docs e, de repente, a internet para de funcionar. penso: ‘putz, acabou a luz’. sendo assim, me levanto e vou fazer outras coisas que não necessitam do acesso à rede mundial de computadores (/quem?).

até que, uns 10 minutos depois, me dou conta de que o outro computador está ligado. acendo a luz da sala, tudo certinho. ‘putz, então é problema na internet mesmo’. pra tirar a dúvida, testo no outro computador, que navega normalmente, enquanto o meu notebook insiste em não encontrar nenhuma rede sem fio. ‘estranho’, é o que me vem à mente. desliga modem, liga de novo, faz os testes e nada. ‘mas que porcaria!’, me irrito. ‘o problema só pode ser no meu computador’.

aí, resolvo analisar com calma e descubro o que está errado. é ridículo, mas a bocaberta aqui, enquanto editava uma planilha do excel, desabilitou o wireless do computador, que imediatamente se desconectou da internet. dã pra mim.

maaaas, em minha defesa, tenho que dizer que meu teclado é burro (sim, a culpa é sempre do teclado, da impressora, da net…). a tecla F2, que muito uso para editar células no excel, também serve para habilitar ou desabilitar o wi-fi, porém, o F2 só funciona no modo ‘Fn’. Ou seja, se eu aperto a tecla sem o Fn junto, afeta diretamente o desempenho do meu modem.

e, lógico, põe em dúvida o meu também.

a prova

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tudo por uns reais na cueca

dezembro 4, 2009

Uma amiga, quando casou, quis muito, implorou para que sua despedida de solteira fosse feita em um clube de mulheres. Era verão em Porto Alegre, onde nada acontece e o calor é insuportável. Depois de muito clericot e papo de mulher em sua residência, nos mandamos para o lugar que ela tinha reservado. O preço, além de muita vergonha alheia, era “10 reais com bebida liberada”.

Fomos. Era uma turma de, mais ou menos, 30 mulheres. Uma delas, madrinha, tinha ligado e feito a reserva. Estava confiante na diversão garantida. Só que quando chegamos ao local, adivinha a surpresa? Fechado. Melhor: EM FÉRIAS COLETIVAS. Descobriu-se, então, que a madrinha havia sido vítima de um trote e que nunca, em nenhum momento, a casa de shows e entretenimento do público feminino havia sido consultada sobre a noitada.

Aí a noiva ficou muito decepcionada, tentando, de todas as formas, manter unido o rebanho que já se formava em grupos dissidentes que planejavam terminar a noite em um boteco qualquer, jogando conversa fora. Tanto insistiu que não só convenceu todas a ficarem, como conseguiu a proeza de fazer com que o dono do local interrompesse as férias coletivas para realizar o desejo dela.

Pois bem. Ele abriu o bar. Mas, antes disso, saiu para comprar cerveja num postinho, pois não tinha nada lá. Voltou com uma dúzia de packs de long neck e nos convidou a entrar. O porteiro, o mesmo que nos avisou das férias coletivas, transformou-se também no DJ de um único CD, barman e showman, apresentando a perfomance dos garotos que ainda não tinham chegado. Sim, ele criava um certo suspense sobre as inúmeras qualidades dos rapazes.

Nós ficamos ali sentadas, conversando, enquanto o CD tocava o horror no repeat e o show não começava. O porteiro era um incansável apresentador e atendia no bar sem largar o microfone. Surreal.

Aí o tempo foi passando, passando e nada do troço começar. E eu peguei no sono. Sim, eu dormi. Baixei a cabeça na mesa e cochilei. Pois é, num clube de mulheres, em noite super exclusiva, com cerveja quente e som no repeat. Mas claro que minha felicidade não durou muito, pois o porteiro-apresentador-DJ-e-barman engraçadinho resolveu me acordar (eca!) sussurrando no meu ouvido.

Já deviam ser mais de três da manhã quando os strippers chegaram, cada um portando seu CDzinho e fantasia pra não comprometerem o espetáculo. Por que demoraram tanto? Ah, claro! Porque eles tiveram que pegar um ônibus da Restinga, bairro bem afastado do centro. Se, de carro, normalzinho, segundo me informou o google maps, leva em torno de 45 minutos, imagina de ônibus?

O show começou, mas eu tava com sono e não tava bêbada o suficiente para achar divertido. Pra falar a verdade, achei até meio deprê aquilo tudo. Porém, hoje, quando lembro, não consigo deixar de achar engraçado. Afinal, teve quem aproveitasse. Mas quem não gostou mesmo foi a namorada de um dos rapazes, que, gentilmente, o acompanhou até lá e ficou, literalmente, com as calças (dele) nas mãos.

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reciclando

dezembro 3, 2009

Recuperando o ânimo para atualizar o blog e não perdendo meu gancho do post de ontem, cujo personagem principal é irmão da Fernanda Lima, resolvi postar um texto antigo do sr. meu marido: “O dia em que a Fernanda Lima falou comigo”

Vale a leitura:

O DIA EM QUE A FERNANDA LIMA FALOU COMIGO

Márcio Cassol


Quente, úmido, ensolarado. Assim foi o último dia da semana de provas do colégio Nossa Senhora do Rosário. Isso em Porto Alegre. Eu estava no primeiro ano do segundo grau. Ou seria o segundo? Bem, esse lapso na memória não terá relevância para a história. O fato é que eu era um aprendiz de grunge, cabelos secos, crespos, relutando alcançar os ombros. Sim, porque do primeiro para o segundo ano do segundo grau meu cabelo não cresceu.

Situados na questão ‘espaço-tempo’, vou relatar o episódio. Estava eu com um amigo num banco da praça em frente ao colégio. Conversávamos trivialidades sobre as questões de trigonometria ou geometria espacial (depende do ano). Meu amigo bebendo seus 300 ml diários de guaraná num copo de plástico rotulado pela Coca-Cola. Eu chutando as pedrinhas da praça ao alcance do meu pé direito. Uma das pedrinhas (batizei-a de ‘The One’) teve a felicidade suprema de encostar na sandália 36 da mais bela das belas (perdoem-me o clichê) já matriculadas naquele instituto educacional. Era Fernanda Lima, atravessando a rua, caminhando em nossa direção.

Retrato-me de uma falácia no parágrafo anterior. Ela não caminhava em nossa direção. Flutuava. Perdoem-me mais uma vez o clichê e a breguice (o amor, mesmo o platônico comum aos adolescentes, e a paixão são de fato bregas). E em câmara lenta. Fernanda olhou para a pedrinha, desviou-a para o lado e, numa suavidade própria dos anjos, voltou a fixar seus olhos amendoados nos dois pré-grunges sentados a sua frente. Balançou com graça e delicadeza seus cabelos enquanto a suave brisa os acariciava. Juro nesse momento ter ouvido Ella Fitzgerald cantando ‘They Can’t Take That Away From Me’ ao lado de Louis Armstrong (Que foi?! Grunge não pode ouvir balada não?!). Meu amigo já não bebia mais seu guaraná. Acredite, éramos normais. Ao menos gosto de pensar que éramos. Mas para meu amigo foi inevitável deixar escorrer algumas gotas da bebida pelo rosto, uma vez que não controlava mais os músculos faciais, estasiados em sorriso.

Enfim… não sei quantas batidas por segundo um coração adolescente suporta, mas posso lhes afirmar que o coração de um adolescente pré-grunge, cabelo ruim e, ok, confesso, levemente tarado resiste muito bem quando posto à prova.

A garota chega perto e sussurra suavemente no meu ouvido. Ok, ok. Não foi no ouvido. E não foram sussurros. Foi a uns bons 3 metros de distância. Mas deixa eu ter meus momentos! Nem que seja uma falsa memória. Enfim… ela diz pra mim:

- Oi. Tens o horário da recuperação?

Malditos estudos. Não… eu não tinha o horário da recuperação. E, pra piorar, tinha paralisado. Não tinha a menor idéia do que dizer. Então soltei a melhor coisa que pude pensar. A melhor coisa que um adolescente, pré-grunge, cabelo ruim, tarado e iletrado em Vinicius de Morais poderia dizer:

- Hum, não… passei por média.

Os passarinhos pararam de cantar. A suave brisa abruptamente gelou. Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, pela primeira vez na história desafinaram e passaram a interpretar ‘Não aprendi a dizer adeus’ em ritmo de lambada.

Como não poderia deixar de ser, Fernanda deu de ombros e voltou para dentro do colégio em busca do horário da recuperação. E foi-se… Sim, falei com Fernanda Lima. E Fernanda Lima acabou ficando Fernanda Lima para sempre. Nada de Fernanda Lima Cassol. Apenas Fernanda Lima.

Lástima. Uma lástima…

Melhor de tudo é que há algum tempo ela postou no blog dela que adorou um texto que encontrou na internet, de um ex-aluno do Rosário chamado MÁRIO Cassol.

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meu momento bridget jones

dezembro 2, 2009

na coluna social do jornal do fim-de-semana tinha uma foto do casamento do meu ex-vizinho (e irmão da fernanda lima). eu era adolescente quando ele morava a dois andares acima do meu, mas eu achava ele tão bonito, tão bonito, que ficava toda errada quando o via.

tropeçava, derrubava as sacolas do supermercado, batia com o joelho na porta do elevador, deixava o carro apagar e pior: eu caía. sério. e não foram duas ou três vezes, foram mais. mas a mais marcante eu preciso dividir com vocês: era inverno e eu estava sozinha em casa numa fria e nublada tarde de sábado. no quarto, eu assistia a um filme toda encasacada, num pout-pourri de moletons velhos, coloridos e descombinantes. sem falar dos cabelos horríveis, claro.

eis que toca a campainha e eu, lentamente, saio debaixo das cobertas. tão devagar que ela soa novamente. me apresso em colocar minhas pantufas gigantes pretas e roxas, em formato de cachorro (uma delas estava sem focinho, mas que meu dedão não se importava em substituir). coisa linda.

saio correndo para atender e, no caminho entre eu e a porta, um tapete me faz escorregar bruscamente, de forma a deslizar com toda força e bater com tudo: pés, joelhos, cabeça. me levanto ao mesmo tempo em que abro a porta e, do lado de fora, meu vizinho gato me encara com ar de quem quer rir e não pode. e me pergunta: “você caiu aqui?”

imaginem a minha cara.

certo que foi um momento embaraçoso na minha vida. e, depois disso, sempre ficava imaginando que toda vez que me via, pensava: “lá vem aquela taipa“. nem mesmo uns dois ou três anos depois, comigo já crescida, consegui arrancar algum olhar diferente dele.

e agora, olhando a foto do moço no jornal, pensei que nem sei mesmo porque eu queria aquilo. e pior do que isso, me dei conta de que ter levado um tombo por um homem meia-boca não valeu tanto assim. melhor cair por um homem lindo, como ele era (?) naquele tempo.

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